segunda-feira, 4 de novembro de 2013
A TEORIA DO MAIS VALIA
No século XIX, o desenvolvimento da economia capitalista foi capaz de determinar uma curiosa situação. Mesmo produzindo riquezas em um patamar astronômico, o capitalismo ainda estava cercado por desigualdades que indicavam a diferença social e econômica das classes burguesa e operária. Com isso, observamos que muitos intelectuais responderam a essa contradição com explicações ou propostas que resolveriam tal discrepância.
Entre esses intelectuais, o filósofo alemão Karl Marx apontou que esse abismo socioeconômico poderia ser explicado pela teoria da mais-valia. Segundo esse pensador, a miséria se perpetuava no mundo capitalista mediante os baixos salários oferecidos aos operários como um todo. Mais do que uma simples opção, o baixo salário era parte integrante dos instrumentos que garantiam os lucros almejados pela empresa.
Sendo assim, Marx indicou que o salário destinado a um trabalhador poderia ser pago com as riquezas que ele produz, por exemplo, ao longo de dez dias de um mês. Contudo, segundo o contrato de trabalho, o operário seria obrigado a cumprir os demais vinte dias restantes para receber o seu salário de forma integral. Dessa forma, o dono da empresa pagaria o valor equivalente a dez dias trabalhados e receberia gratuitamente a riqueza produzida nos vinte dias restantes.
Essa modalidade de “mais-valia” era reconhecida pelo pensamento econômico marxista como a “mais-valia absoluta”. Paralelo a esse tipo de exploração, ocorria a “mais-valia relativa”, instalada pelo processo de modernização tecnológico do ambiente fabril. Nesse caso, o trabalhador adequava o exercício de suas funções ao uso de um novo maquinário capaz de produzir mais riquezas em um período de tempo cada vez menor.
Nesse caso, o trabalhador recebia o mesmo salário para desempenhar uma função análoga ou, em alguns casos, ainda mais simples. Graças à nova máquina ou técnica de produção utilizada, o dono da empresa necessitava de um número de dias ainda menor para cobrir o custo com o salário do trabalhador. Assim, ficava sendo necessários, por exemplo, apenas cinco dias trabalhados para que ele pudesse pagar pelo mesmo salário mensal que devia ao seu empregado.
A exposição dessa teoria foi um dos meios pelos quais Karl Marx provou que as relações de trabalho no mundo capitalista tinham caráter exploratório. Dessa forma, ele condensava mais um argumento favorável à oposição de interesses existentes na relação entre burguesia e proletariado. Além disso, essa mesma tese serviu de base para que vários operários lutassem pela obtenção de melhores salários e condições mais dignas de trabalho.
Associação Internacional dos Trabalhadores
Em 28 de Setembro de 1864 teve lugar uma grande reunião pública internacional de operários no St. Martin's Hall de Londres; nela foi fundada a Associação Internacional dos Trabalhadores (mais tarde conhecida como Primeira Internacional) e eleito um Comité provisório, que contava Karl Marx entre os seus membros. Marx foi depois eleito para a comissão designada a 5 de Outubro, na primeira sessão do Comité, para redigir os documentos programáticos da Associação. A 20 de Outubro a comissão encarregou Marx de rever o documento por ela preparado durante a doença de Marx e redigido no espírito das ideias de Mazzini e Owen. Em lugar desse documento, Marx escreveu de facto dois textos inteiramente novos — a "Mensagem Inaugural da Associação Internacional dos Trabalhadores" e os Estatutos Provisórios da Associação —, que foram aprovados na sessão da comissão de 27 de Outubro. Em 1 de Novembro de 1864 a Mensagem e os Estatutos foram ratificados por unanimidade pelo Comité provisório, que se constituiu em órgão dirigente da Associação. Este órgão, que entrou na história como Conselho Geral da Internacional, foi predominantemente denominado Conselho Central até finais de 1866. Karl Marx foi de facto o dirigente do Conselho Geral. Foi o seu verdadeiro organizador, o seu cnefe, o autor de numerosas mensagens, declarações, resoluções e outros documentos do Conselho. Na Mensagem Inaugural, primeiro documento programático, Marx conduz as massas operárias à ideia da necessidade de tomar o poder político, de fundar um Partido proletário independente e de assegurar a união fraterna entre os operários dos diferentes países. Publicada pela primeira vez em 1864, a Mensagem Inaugural foi muitas vezes reeditada ao longo de toda a história da Primeira Internacional, que deixou de existir em 1876.
A Segunda Internacional (Internacional Operária e Socialista): nasceu em 1889 como sucessora da Primeira Internacional. Era uma associação livre de partidos socialdemocratas e trabalhistas, integrada tanto por elementos revolucionários quanto reformistas. Seu caráter progressista chegou ao fim em 1914, quando suas seções mais importantes violaram os princípios mais elementares do socialismo ao apoiar seus governos imperialistas na Primeira Guerra Mundial. Se desintegrou durante a guerra, porém ressurgiu como organização totalmente reformista em 1923.
Segunda e meia Internacional é como foi chamada a união internacional de partidos socialistas constituída em Viena em fevereiro de 1921, por uma série de partidos (entre os quais os mencheviques russos) saídos temporariamente da II Internacional no período do ascenso revolucionário. Essa união era dirigida por F. Adler, O. Bauer, L. Martov e outros. O objetivo da segunda e meia Internacional era contrabalançar a influência cada vez maior da Internacional Comunista entre as massas operárias, que se haviam afastado da desprestigiada II Internacional. Em 1923 a Internacional segunda e meia voltou a unir-se à II Internacional.
Do russo Коммунистичекий Интернационал (Kommunisticheskiy Internatsional) abreviação de Internacional Comunista ou III Internacional, reunião internacional dos Partidos Comunistas de diversos países, que funcionou de 1919 até 1943. A Internacional Comunista foi sucessora e continuadora da Primeira Internacional e herdeira das melhores tradições da Segunda Internacional. A fundação da Internacional Comunista significou a criação de um Estado Maior político-ideológico do movimento revolucionário do proletariado. Lênin foi o organizador e inspirador da Internacional Comunista, que defendeu o marxismo revolucionário frente às deformações oportunistas e revisionistas de direita e de "esquerda". A Internacional Comunista buscou a formação de quadros dirigentes dos Partidos Comunistas e a sua transformação em partidos revolucionários de massa, partidos de novo tipo.
A Internacional Comunista foi dissolvida em 1943 como um gesto de conciliação de Stalin para com a Forças Aliadas (Estados Unidos, Inglaterra).
domingo, 3 de novembro de 2013
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
A REVOLTA DOS MALÊS II
A Revolta dos Malês foi um movimento que ocorreu na cidade de Salvador (província da Bahia) entre os dias 25 e 27 de janeiro de 1835. Os principais personagens desta revolta foram os negros islâmicos que exerciam atividades livres, conhecidos como negros de ganho (alfaiates, pequenos comerciantes, artesãos e carpinteiros). Apesar de livres, sofriam muita discriminação por serem negros e seguidores do islamismo. Em função destas condições, encontravam muitas dificuldades para ascender socialmente.
Causas e objetivos da revolta
Os revoltosos, cerca de 1500, estavam muito insatisfeitos com a escravidão africana, a imposição do catolicismo e com a preconceito contra os negros. Portanto, tinham como objetivo principal à libertação dos escravos. Queriam também acabar com o catolicismo (religião imposta aos africanos desde o momento em que chegavam ao Brasil), o confisco dos bens dos brancos e mulatos e a implantação de uma república islâmica.
Desenvolvimento da revolta
De acordo com o plano, os revoltosos sairiam do bairro de Vitória (Salvador) e se reuniriam com outros malês vindos de outras regiões da cidade. Invadiriam os engenhos de açúcar e libertariam os escravos. Arrecadaram dinheiro e compraram armas para os combates. O plano do movimento foi todo escrito em árabe.
Fim da revolta
Uma mulher contou o plano da revolta para um Juiz de Paz de Salvador. Os soldados das forças oficiais conseguiram reprimir a revolta. Bem preparados e armados, os soldados cercaram os revoltosos na região da Água dos Meninos. Violentos combates aconteceram. No conflito morreram sete soldados e setenta revoltosos. Cerca de 200 integrantes da revolta foram presos pelas forças oficiais. Todos foram julgados pelos tribunais. Os líderes foram condenados a pena de morte. Os outros revoltosos foram condenados a trabalhos forçados, açoites e degredo (enviados para a África).
O governo local, para evitar outras revoltas do tipo, decretou leis proibindo a circulação de muçulmanos no período da noite bem como a prática de suas cerimônias religiosas.
Curiosidade:
- O termo “malê” é de origem africana (ioruba) e significa “o muçulmano”.
A REVOLTA DOS MALÊS
A revolta dos Malês pode ser compreendida como um conflito que deflagrou oposição contra duas práticas comuns herdadas do sistema colonial português: a escravidão e a intolerância religiosa. Comandada por negros de orientação religiosa islâmica, conhecidos como malês, essa revolta ainda foi resultado do desmando político e da miséria econômica do período regencial.
Com o deslocamento do eixo econômico-admininstrativo do Brasil para a região sudeste e as constantes crises da economia açucareira, a sociedade baiana do período tornou-se um sinônimo de atraso econômico e desigualdade socioeconômica. Além desses fatores, devemos também destacar que as prescrições religiosas incentivadas pelas autoridades locais promoveram a mobilização desse grupo étnico-religioso específico.
Anos antes da revolta, as autoridades policiais tinham proibido qualquer tipo de manifestação religiosa em Salvador. Logo depois, a mesquita da “Vitória” – reduto dos negros muçulmanos – foi destruída e dois importantes chefes religiosos da região foram presos pelas autoridades. Dessa maneira, os malês começaram a arquitetar um motim programado para o dia 25 de janeiro de 1835.
Nesta data, uma festa religiosa na cidade Bonfim esvaziaria as ruas de Salvador dando melhores condições para a deflagração do movimento. Naquela mesma data, conforme a tradição local, os escravos ficariam livres da vigilância de seus senhores. Entre os ideais defendidos pelos maleses, damos destaque à questão da abolição da escravatura e o processo de africanização de Salvador por meio do extermínio de brancos e mulatos.
Mesmo prevendo todos os passos da rebelião, o movimento não conseguiu se instaurar conforme o planejado. A delação feita por dois negros libertos acionou um conflito entre as tropas imperiais e os negros malês. Sem contar com as mesmas condições das forças repressoras do Império, o movimento foi controlado e seus envolvidos punidos de forma diversa. Apesar de não alcançar o triunfo esperado, a Revolta dos Malês abalou as elites baianas mediante a possibilidade de uma revolta geral dos escravos.
Como se dar bem na prova do ENEM?
Algumas dicas para estudantes do Ensino Médio.
1. Ler com atenção todos os textos da prova.
O ato de ler envolve não apenas a decodificação da mensagem, mas também a interação com o texto, produzindo sentidos durante a leitura. Muitas vezes, todos os elementos necessários para encontrar a resposta certa de um exercício estão ali mesmo no enunciado. Uma leitura atenta do que pede a questão é o início para encontrar a resposta. Portanto, leia o enunciado até o final e evite a impulsividade de assinalar um item qualquer só por achar que está correto. Preste atenção ao que está sendo pedido e não ao que você deduziu a partir de uma leitura incompleta e rápida.
2. Interpretar os textos.
Você é capaz de interpretar textos. Para isso, precisa retirar deles o maior rendimento possível. Não faça leitura superficial e rápida. Não uma fórmula mágica para interpretar os textos lidos, mas procure prestar atenção nos detalhes apresentados em todos os textos que compõe a prova e relacione-os. Seja capaz de ler gráficos, imagens, mapas e tabelas, além dos textos que utilizam a linguagem verbal escrita. Redobre a atenção a esses textos que ilustram o texto principal.
3. Leia os títulos de cada texto e compreenda as informações contidas nos gráficos, imagens, tabelas.
No caso de gráficos, fique atento aos valores extremos nos picos, tanto para cima quanto para baixo. Em tabelas e mapas, relacione os dados apresentados e compare os valores; leia datas e legendas que podem conter dicas importantes sobre o assunto. Lembre-se de que estes textos são usados para ajudar a entender o assunto principal do texto em análise e ilustram informações necessárias à interpretação.
4. Se os textos forem extensos, preste atenção na maneira em que irá lê-los.
Primeiro reconheça o assunto geral, as referências contidas e o contexto. Perceba a linguagem utilizada e como as partes se articulam. Identifique as ideias básicas de cada trecho e os conceitos que definem a opinião do autor. Procure, também, retirar dados implícitos e explícitos do texto. Estabeleça relações entre o texto e seus aspectos históricos, sociais, políticos, econômicos e culturais. Reflita, também, sobre as abordagens do texto, sua narrativa e identifique como as partes se relacionam. Isto tudo exige uma leitura atenta!
5. Estabeleça com o texto lido um diálogo.
Neste ponto, é necessário que você coloque seus conhecimentos à prova. É necessário que esteja atualizado, que saiba sobre o que acontece no seu país e no mundo e como todos estes fatos influenciam em sua vida diária ou na vida dos seres humanos. Posicione-se criticamente diante dos fatos. Seja capaz de criticar com bons argumentos. Para tê-los, no entanto, é preciso saber sobre o assunto discutido. Procure informar-se: leia jornais, revistas, pesquise em sites e ouça o que outros dizem a respeito dos fatos vinculados na mídia. Conecte-se com o mundo. Leia! Leia tudo e de tudo. Quanto mais você ler, mais preparado estará para refletir sobre as informações que está recebendo.
6. Ao ler um texto, elabore respostas a três questões básicas:
Qual é a questão tratada neste texto? Qual é a posição do autor sobre este assunto? Quais argumentos o autor utiliza para fundamentar a posição dele sobre o assunto tratado?
7. Para entender o texto, leia-o mais de uma vez e quantas vezes achar necessário! Lembre-se de que sua leitura é com a finalidade de analisar o texto a fim de interpretá-lo. Primeiro preste atenção no assunto principal, depois se atente às partes. Saiba de antemão o que está sendo perguntado ou pedido no enunciado da questão para encontrar a resposta no texto.
Estratégias para ler textos:
1. Leia atentamente o enunciado antes de começar a responder a questão, especialmente em perguntas exatas. Não se precipite para não cometer erros por falta de atenção.
2. Grife ou circule os elementos mais importantes da pergunta e que podem ajudar a resposta, como dados, informações, referências a épocas ou autores.
3. Leia as alternativas de resposta relacionando-as com os itens que você destacou no enunciado para descartar aquelas que já forem evidentemente erradas.
4. Relacione os dados do enunciado com as informações contidas em mapas, gráficos e tabelas para ajudar na leitura das informações transmitidas por esses recursos.
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